Por @TaianAoki mais em ScrotosBR
- Tchau. – ela parou, olhou, sorriu, me deu um beijo e foi embora.
- Tchau…
Com certeza eu queria dizer muito mais que isso. E quando vi, ela já tinha ido. Seguiu seu rumo e eu segui o meu.
Comecei minha caminhada. Era tarde da noite e eu estava só. Tomei o rumo de casa. E já na metade do caminho percebi que não queria ir para casa. Estava com minha viola e a noite estava belíssima. E eu tinha visto a gata mais linda. Comecei a tocar um reggae do bom enquanto caminhava sem rumo. Passei por uma rua onde dois cachorros de rua estavam deitados. Eles me olharam, com receio. Mas depois que perceberam que eu não oferecia perigo, parece que até entraram no ritmo do som. Passei por fases com meu som. Bob, Djavan, Jimmy. Cantei um verso daquele velho samba pra Lua.
- Vou apertar, mas não vou acender agora…
E então passei por uma praça, bonita e iluminada. Solitária como eu. Decidi parar para lhe fazer companhia. Encostei minha viola e a deixei repousar um pouco. Ela já tinha me servido bem. Afinal, a gata chegou até mim por causa dela.
- O que você toca?
- O que você gosta de ouvir?
- Reggae?
Perfeito. Eu tocava e ela cantava. E depois conversamos por muito tempo. Contei histórias e idéias novas dos lugares de onde viajei. Não sei se ela botou fé, mas pelo menos percebeu que vinham do coração. E quando toquei um samba, ela dançou. Seu vestido rodopiava junto com o balanço de seu corpo. As flores estampadas nele faziam uma dança hipnótica. E ela dançava. Dançava sem nada a temer, sem nada a dever. Como uma criança sozinha na noite, com a luz do luar a iluminando.
E enquanto eu lembrava, saquei a minha gaita. Ela me consolava. E ela chorou, numa bela melodia solitária. Não vi mais a gata, é verdade. Queria ter dito mais a ela. Queria ter feito algo, ao invés de deixá-la ir. E eu tocava minha gaita, sentado só naquela praça. E tinha certeza de que a Lua me ouvia.