The Adventures of rain Dance Maggie
12 sexta-feira ago 2011
Publicado em Ilustração, Rock
12 sexta-feira ago 2011
Publicado em Ilustração, Rock
19 terça-feira jul 2011
Publicado em Rock
Por @TaianAoki mais em O Diário Semanal
Maggie era uma exímia dançarina. Ela dançava com o fundo de sua alma. Impulsiva, descontrolada, mas com muita paixão. Vê-la dançar era algo tão belo que as pessoas suspiravam e os olhos ficavam marejados. Vê-la dançar com tanto ardor, com tanta paixão era realmente belo. Porém, aqueles que a viam graciosa e ritmada não imaginavam o quanto impulsiva ela realmente era não apenas dançando. Apenas eu soube.
Nós namoramos por seis anos, eu e Maggie. Ela era dançarina de street iniciante quando a conheci. Muito habilidosa e belíssima. Era exatamente o que eu estava procurando. Mas no começo era algo profissional. Foi logo aí que as coisas começaram erradas.
- Preciso que você dance comigo.
- Você tem um grupo de dança?
- Não, uma banda de rock.
- Podemos conversar a respeito.
- Você é linda.
- Obrigada.
E ela aceitou ser a minha dançarina principal. Habilidosa, como eu havia dito. Ela era a responsável pela coreografia, ensaios e tudo o mais. Era a dona do palco. A mais bela, mais charmosa e com certeza a mais impulsiva. Não tardou para que eu me envolvesse. Principalmente quando comecei a frequentar os ensaios das dançarinas.
- Muito bom, Maggie. Genial eu diria.
- Obrigada. – ela respondia no começo.
- Meu querido, você me paga pra isso. – dizia ela quando começamos a ficar mais íntimos. – E aliás, você ainda me deve um jantar.
Eu paguei o jantar. E depois a deixei em casa. Ela me convidou a entrar. E na noite seguinte jantamos novamente após o ensaio. E dessa vez ela passou a noite no meu apê. E todos os dias eu visitava os ensaios, e jantávamos depois. A vida não era rotineira por que Maggie era muito espontânea para deixar que isso acontecesse. Sempre passávamos horas e horas conversando sobre qualquer tipo de assunto enquanto secávamos garrafas de vodka, whisky, cerveja e qualquer outra variedade de bebida que quiséssemos. E no dia seguinte, ensaiávamos de ressaca. Nada de rotina. Foi quando as coisas começaram a complicar.
Maggie e eu tínhamos que fazer chover para que nosso relacionamento não caísse na rotina, ao mesmo tempo que ele não atrapalhasse o andamento de nossa carreira que ia bem. E Maggie sempre foi boa em fazer sua dança da chuva.
- Você precisa se focar mais nas composições! – diziam meus companheiros de banda.
- Você precisa me dar mais atenção. – dizia Maggie. Ela ficava linda quando estava irritada.
E seu estilo impulsivo se mostrava mais e mais. Quando começaram as brigas eu perdi o chão. Focava em minhas músicas, e ela se sentia sozinha. Dava atenção a ela e minhas músicas ficam horríveis. Ela chorava, batia, quebrava as coisas, fazia escândalo. Ela sempre soube deixar as coisas bem explícitas. Ela me acusava e eu argumentava. Ela rebatia. Não importava o quanto eu me dedicasse a ela, nunca era o suficiente. Não importava se eu tivesse feito tudo certo, ela sempre dava um jeito de sair com a razão.
- Você não me ama!
- É claro que eu te amo, Maggie, pare de besteira!
- Você me ama mais que a sua banda?
Eu travei. E tínhamos chegado enfim. No ponto onde eu temia que chegaríamos, mas tive esperanças de que pudesse ser evitado. É claro que não tive escolha.
- Maggie, sinto muito, mas você não faz mais parte dessa banda. – ela me olhou chocada.
- E você não faz mais parte da minha vida.
Ela saiu pelos fundos e bateu a porta com força. Impulsiva e decidida. Eu nunca mais a vi. A banda vai bem, talvez melhor do que nunca. Minhas composições melhoraram muito, talvez por ter um vazio a preencher com elas. Mas às vezes gostaria de saber fazer chover.
14 segunda-feira mar 2011
Publicado em Rock
Escrito por @TaianAoki leia mais em O Diario Semanal
Aqui em baixo, escondido das luzes da cidade, eu me sinto protegido. Mas ao mesmo tempo fico assustado. Os carros passam sobre a minha cabeça e seus ruídos distorcidos em meu cérebro entorpecido parecem mais com rugidos ferozes de animais selvagens querendo me devorar. E eu estou sozinho. Com a cidade como minha única companheira.
A ponte onde me escondo me protege da chuva e do frio. E a solidão bate duramente em meu peito. Quando me sinto esmagado por ela, acendo minha pita. Meu corpo relaxa, mas feras voltam a rugir ao meu redor. A ponte sob a qual me escondo não vai me proteger dos rugidos mortais em minha mente. Eu estou sozinho e me rendendo ao mesmo vício que o levou de mim. Sinto a sua falta. Mas não quero ter o mesmo fim que você. Você foi o meu melhor amigo e sinto a sua falta. E o mal que o levou, ainda me consome.
A cidade passa rapidamente diante de meus olhos, enquanto fico atordoado demais para me mover. Desde que você se foi ela é minha única amiga. Decido sair para uma caminhada. Quando me levanto, os habitantes da ponte me olham intrigados. Eles sabem que eu não pertenço àquele mundo. Mas acho que sabem que não farei mal a eles. Eles me deixam ir.
Horas, ou minutos, ou segundos depois retorno à ponte. Não tenho mais noção de tempo, nem de espaço. Sento sob a ponte e novamente penso em você. Por que você se foi? Por que me sinto tão só? Por você farei um último esforço. Pego meu caderno e começo a fazer aquilo que era meu objetivo inicial quando cheguei à ponte, dias atrás. Sozinho sob uma ponte. Eu e minha pita. E a letra flui naturalmente.