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Caixa Preta – Ilustração
29 sexta-feira jul 2011
Publicado em Ilustração, Rap
29 sexta-feira jul 2011
Publicado em Ilustração, Rap
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28 quinta-feira jul 2011
Publicado em Rap, Rock Nacional
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Por @TaianAoki mais em O Diário Semanal
São Paulo, 27 de junho de 2013
Dezembro de 2012, o fim do mundo não ocorreu para a maioria das pessoas como previam os Maias. Porém, algumas pessoas poderiam discordar disso. Para os moradores do complexo do Bicudo, uma área de favelas localizada na região leste da capital paulista, foi como se o fim do mundo houvesse sido anunciado na data prevista pelos Maias e viria a acontecer na última quarta-feira, dia 26. Na ocasião, ironicamente, no dia 12 de dezembro de2012, aprefeitura de São Paulo anunciou a desocupação de parte do complexo do Bicudo para a construção de um novo museu do Futebol que serviria como ponto turístico para a Copa do Mundo de 2014. Por se tratar de uma ocupação ilegal, no caso, uma favela, a prefeitura declarou que os moradores não seriam realocados e nem ao menos teriam direito aos valores de desocupação de seus lares. E isso causou revoltas.
Muitos moradores fizeram protestos e mais protestos em frente à prefeitura, sem sucesso. Alguns deles começaram a desocupação logo após o anúncio feito pelo prefeito como se antevissem que não haveria meios de evitar aquilo. Enquanto outros foram deixando o local com o decorrer do tempo. Entretanto, a maior parte prometeu ficar e lutar pelas terras que diziam ser “suas por direito”. A questão aqui é que a lei está ao lado da prefeitura. Por se tratar de uma área de ocupação ilegal, o governo não tem necessidade de nenhum pagamento indenizatório e pode sim requerer a saída dos ocupantes, por mais desumano que isso possa soar. E foi exatamente isso que a prefeitura decidiu.
No começo da resistência as famílias tentaram impedir o avanço das tropas da polícia militar formando uma espécie de barreira humana. E os policiais revidaram com bombas de efeito moral e muita cacetada. Conforme a força ia sendo utilizada contra os moradores, muitos deles fugiam levando seus poucos pertences e desistiam da região do Bicudo. Mas alguns deles defenderiam suas terras até o final. Um número considerável de homens empunhando facões, pedaços de pau e ferro, enxadas e qualquer tipo de arma improvisada que se pode imaginar tentava impedir o acesso dos policiais.
O prefeito informou que os policiais haviam sido instruídos a não usar poder de fogo contra os moradores. Mas eles poderiam abusar dos cassetetes. E foi o que fizeram. O que aconteceu no complexo do Bicudo foi uma verdadeira guerra civil. Os números oficiais do embate foram de 25 feridos – entre eles, 21 moradores da região e apenas 4 policiais – e dois mortos. Ambos moradores do complexo e membros da mesma família. Antônio Carlos da Silva e Joaquim da Silva, pai e filho respectivamente, foram espancados até a morte em frente ao seu barraco que acomodava toda sua família formada por Marieta Silva, mulher de Antônio Carlos e mãe de Joaquim e mais três filhas. As mulheres não estavam mais no local e não se tem notícias do paradeiro delas. Aparentemente Antônio Carlos e Joaquim já tinham intenção de lutar por seu lar até o fim, pois colada na porta do casebre havia uma carta escrita a mão pelo pai da família. A carta foi liberada à imprensa esta manhã e possuía os seguintes dizeres:
“As ondas de vaidade tomaram o vilarejo e minha casa se foi como fome em banquete.
Vocês dizem que eu não pertenço a esse chão, mas a quem ele pertence então? Vocês se esqueceram de nós por décadas e agora acham que podem nos tirar tudo que construímos?
De que adianta regar as flores do deserto com chuva de insetos?
Saibam que houve resistência. O Salto foi dado.
Aos jornais, eu deixo meu sangue como um capital,
Às famílias, eu deixo meu sangue como um punhal,
À corte, eu deixo meu sangue como um sinal. Vocês não sairão ilesos dessa vez.
Ass: Antônio Carlos da Silva, pai de família, homem honesto e trabalhador.”
E aparentemente ele tinha razão. Hoje pela manhã o prefeito comentou o acontecido em poucas palavras. Disse que não esperava que houvesse resistência e muito menos mortes, mas que pretende continuar a desocupação. O Ministério Público está apurando o caso. Um porta-voz do MP confirma que caso aberta uma CPI em caráter de urgência, o prefeito e outros responsáveis serão indiciados por homicídio duplamente ou até triplamente qualificado. E a desocupação do complexo do Bicudo será interditada. Entretanto, isso não garante que as famílias possam retornar às suas casas, pois a ocupação da área continua sendo ilegal. O que aconteceria com o complexo do Bicudo, em caso de interdição da desocupação, é que ele viraria um grande terreno ocioso alvo de conflitos políticos e jurídicos. Como tantos outros que temos em São Paulo. E as famílias pobres que viviam lá que procurem outro lugar para se alojarem ilegalmente.
21 quinta-feira jul 2011
Publicado em Rap
Escrito por @jehdom
No relógio 18:50 e correndo.
Na redação, o frio está cortante. E o inferno é aqui.
Pra quem subiu o morro aos 40 graus, com bala cortando a carne de quem não fica esperto, isso deveria ser moleza.
- Mas o inferno não é quente. - pensou.
Ele tinha plena certeza de que no inferno tinha ar condicionado, terno e gravata.
- “Porque o Diabo não é humilde, ele usa o melhor terno que puder, ele é o mestre da enganação” - um dia disse sua mãe.
O Diabo sabe dar um blefe.
Sabe mentir com credibilidade e elegância indiscutíveis.
Para o menino que subiu na vida, as palavras da sua mãe ecoavam na sua cabeça.
Estar na redação daquele jornal, sempre fora seu sonho. Um sonho à todo custo.
E tinha chegado a hora. A hora de pagar o preço por aquele sonho.
19:00.
- O que tem nessa maldita pasta? - Perguntou a si mesmo.
A pasta que costuma ser guardada a sete chaves pelo Chefe. Estava ali, no Cofre aberto.
A mentira já tinha sido lavrada e assinada pelos donos do Jornal.
Só tinha que ser impressa. A matéria já estava escrita.
Mas ele estava à um passo do Dossiê.
Da pasta preta.
Da verdade encadernada.
Ele abriu a pasta feroz. Era número atrás de número.
Lavagem de Caixa, sonegação, Partidos Corruptos, mentiras atrás de mentiras.
O enredo da miséria.
- E aí Carlinhos, vai se calar ou vai falar a verdade? - era sua consciência.
Uma batalha entre dois Carlos.
O Carlos Futuro Diretor da Gazeta do Rio de Janeiro, ou do Carlos Futuro Desempregado do Rio de Janeiro.
- Mas é o meu que tá na reta! - responde pra própria consciência.
19:30.
Ele fecha a pasta. Sela seu destino.
Seria mais uma mula.
A mula que carrega a informação suja, assim como a droga, é só parte do sistema.
E ele não podia ir contra o Sistema.
E ele deixaria milhões de brasileiros, feito mulas. Mas essas, as mulas da ignorância.
A benção da ignorância consentida.
Por que aqui no Brasil, ninguém sabe, ninguém viu.
18 segunda-feira jul 2011
Publicado em Rap
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Por @Rico_Correia mais em Miztureba
Era isso o que eu queria, era aqui que eu queria chegar.
Estou no topo, meu pescoço pesa com as correntes de ouro, me falta dedos para usar todos os anéis e nem que eu tivesse dez mãos, ainda assim me faltariam dedos. Estou cercado de pessoas que me amam ou pelo menos me dizem que é assim. Eles fingem que me amam e eu finjo que acredito.
Acho que andei muito ocupado ultimamente, tenho memórias soltas da minha mãe tentando falar comigo, deveria ter te dado mais atenção a ela. Ouço vozes ao eu redor.
- Ele perdeu muito da própria identidade.
Quem esse merda pensa que é pra me dizer alguma coisa? Este lambedor de botas puxa saco, deve estar falando assim só por que pensa que eu não posso ouvir nada do que ele está falando. Sei que de certo modo ele não está errado, sei que em algum momento entre as festas, baladas, shows e comemorações devo ter deixado pra trás o cara que eu era, mas se alguém não pode falar nada é este merda. Ele nem sequer tem uma personalidade pra deixar pra trás.
Meu peito, que pressão é essa, parece que levei um choque.
- Realmente não é mais o cara por quem eu me apaixonei.
Vadia, quem você pensa que está enganando, você é outra que não pode dizer nada. Há 4 anos atrás você não teria sequer olhado na minha cara, aposto que você decorou todas os pingentes das minhas correntes antes de saber qual era a cor do meu olho. Mas tudo bem, você está comigo do meu lado pelo mesmo motivo que comprei os meus carros e este monte de jóias, eu achei bonito e merecia ter me enfeitando.
Cacete, de novo esse impacto, parece que meu peito vai explodir.
- Eu gostava deste garoto.
Sua voz não parece nem um pouco de pesar, filho da puta, e você gosta é do dinheiro que eu coloco no seu bolso. Sabe o quanto é difícil ter que garimpar outro talento, outro cara pra encher festas e shows e principalmente encher seu bolso com dinheiro. Sei que você me ajudou a chegar aonde eu estou, mas não foi por apreço a mim, não me venha falar como se você fosse meu amigo.
Outra vez? Meu peito vai explodir.
Só agora me dou conta que está tudo escuro, por que não vejo nada? Só escuto as vozes destas pessoas que eu preciso ter do meu lado, mas não representam nada pra mim. Será que eu preciso realmente deles ao meu lado? O que eu tinha na cabeça, hein? Achei que se juntasse dinheiro o suficiente ia montar meu próprio paraíso, mas com toda certeza o paraíso é diferente disto. Não aguento mais estas drogas, estas pessoas. Preciso rever minhas priori…
- Afastem-se
Que voz é essa? Ai meu peito Filho da puta, parem com isso.
- Afastem-se.
Não, por favor, parem. Acho que não aguento outro tranco destes, não faça isso.
- Conseguimos.
Onde eu estou? Isto… isto é um hospital? À pouco eu estava em uma festa no meu apartamento, lembro das bebidas, das mulheres, das drogas. Aquela prisão de luxo que eu montei pra mim. Mas não deixa de ser uma prisão. Estou tão cansado, acho que vou dormir um pouco.
Ainda estou no hospital? Estão todos ao meu redor, a piranha, o safado e o puxa-saco.
- Ficamos muito preocupados com você.
Calem a boca, vocês não podem me falar nada.
Era isso o que eu queria? Era aqui que eu queria chegar?