Por @TaianAoki leia mais em O Diário Semanal
A vida nunca foi fácil pra mim. Começando com meus primeiros instantes de vida. Nascido prematuro com seis semanas de antecedência, nem os médicos acreditavam que eu ia sobreviver. Mas se você acha que isso fez de mim um vencedor, você já se enganou. Eu sou um daqueles que sobrevive no limite da existência. Sempre fui o excluído da turma na escola, que tirava as piores notas e sempre foi passando de ano por piedade dos professores. Eu mesmo acho que eles queriam mesmo é evitar ter que me ver por mais um ano. Meus pais sempre me cobraram, porém eu nunca encarei uma faculdade. Que porra eu ia fazer numa universidade? A palavra vestibular sempre me deu nojo. Comecei a beber e fumar cedo com os poucos amigos que fiz no colégio, esquisitos como eu. Deve ser por isso que aos vinte e poucos eu já esteja com a saúde debilitada. Mas não me importo, apenas aproveito a vida da minha maneira largada. Meu sub-emprego garante minha cachaça de fim de semana e por aí eu sigo. Minha aparência assusta as pessoas porque não ligo para o que os outros pensam, só me visto de preto e uso roupas largas que são confortáveis. E falando a verdade, não sou um sujeito bem apessoado. Isso parece assustar as pessoas.
Meus amigos são sempre os mesmos, os antigos do colégio e alguns agregados que foram se juntando. Uma espécie de gangue. Mas não no sentido literal, pois não fazemos mal algum aos outros, embora todos nos olhem com estranheza e às vezes medo. Muitas vezes tive vontade de falar que não faria mal a eles. Mas quer saber? Foda-se. Melhor que tenham medo, por que assim me deixam em paz. Frequentemente converso com meu amigo sobre isso.
- As pessoas têm o coração contaminado, velho.
- Deixa eles pra lá, cara.
- Eu sei que não devia me importar, mas não gosto do jeito que esses cuzões me olham. Como se eu fosse fazer mal a alguém.
- Foda…
- Foda mesmo, essa sociedade só quer saber de julgar os outros. Quem não é bonitinho, arrumadinho é bandido, bêbado ou drogado. – um trago no cigarro. – Não entendo por que o mundo tem que ser feito de estereótipos. Por que você tem que seguir uma tendência, se não você não é nada.
- Cara, a verdade é que a gente não vai conseguir mudar o mundo. – disse meu amigo e eu olhei pra ele. Com esse pensamento pequeno é que não vamos mesmo.
- Às vezes eu só quero sair desse mundo de gente com coração envenenado.