Por @TaianAoki mais em ScrotosBR
Eu quero a sorte de um amor tranquilo. E algum remédio antimonotonia. Sei que não é pedir demais. Estou disposta a fazer minha parte. Estou pronta para dar todo amor que houver nessa vida a ele.
Nós nos conhecemos no trem. Pegávamos o mesmo trem todo dia, no mesmo horário. No começo eu o evitava, até ficava meio assustada. Ele me encarava de um jeito estranho. Lembro quando ele veio falar comigo pela primeira vez.
- Olá, com licença, posso perguntar o seu nome?
Ele parecia tão nervoso. Aquilo não parecia estar sendo nada fácil para ele. Acho que foi por isso que eu respondi.
- Amanda.
No começo nós só nos encontrávamos naquele mesmo trem. Conversando durante as manhãs, enquanto íamos para o trabalho. Depois trocamos telefones. E assim começou nossa história. É bem verdade que no começo ele se dava bem mais que eu. Claro, minha insegurança me travava, afinal, eu conheci o cara no trem. Mas aos poucos ele foi me provando sua confiança. Descobrimos que temos muito em comum.
- Meu sonho é morar na praia.
- O meu também! Eu já morei por uns anos, mas não pude ficar. Tive que voltar pra capital… não vejo a hora de voltar.
E nós dois no embalo da rede, matando a sede na saliva. Era difícil sair de perto dele. E quando as coisas ameaçavam cair na rotina, ele surpreendia.
- Não abra os olhos.
- Ta.
- Não vale espiar.
Eu esperei.
- Pode olhar.
Estava ele. De joelhos, com alianças em mãos.
- Quer se casar comigo?
Talvez fosse cedo demais. Mas eu aceitei mesmo assim. Afinal, ele já havia me mostrado que podia ser artista no nosso convívio e transformar o tédio em melodia. Talvez fosse ele o meu remédio antimonotonia.