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adele, ilustracao, jehdom, pop
26 sexta-feira ago 2011
Publicado em Blues, Ilustração, Pop
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18 quinta-feira ago 2011
Escrito por @Rico_Correia e @TaianAoki para a segunda etapa do Blog Talent Show do YouPix
Não ouse duvidar do que alguém ressentido por amor pode fazer. Ofereci a você mais do que amor, ofereci a mim, ofereci meu coração, este mesmo que agora queima ferozmente. Talvez o que senti por você tenha sido uma devoção. Tinha meu coração em suas mãos, mas ao sentir o calor, que até então era terno e acolhedor assustou-se e soltou. Se soubesse com que tamanha força ele queima agora entenderia o quão sem fundamento foi temer antes.
A não correspondência dói. Machuca ferozmente, mas é perdoável. Ninguém é obrigado retribuir amor com amor, respeito e amizade são moedas menos desejáveis, contudo aceitáveis. Mas a ilusão, o desprezo e o escárnio estão longe de serem formas dignas de responder ao amor de alguém. Obrigada, por isso abri meus olhos, enxergo mais claro e longe do que nunca.
Tentei por algum tempo me afastar simplesmente. Sofrer em silêncio e não deixar que minha admiração se esvaísse, meu respeito de desgastasse e meu amor se tornasse ódio, mas você fez questão de tirar um por um de mim. Usou-me quando foi do seu agrado, me afastou e me humilhou quando lhe pareceu divertido.
Me revolta acima de tudo saber o quanto poderíamos ter tido, o quanto poderíamos conquistar juntos. Também isso foi lançado aos ventos e desfeito no ar como tudo mais. Sonhos são peças frágeis que podem se despedaçar com a menor brisa se tratados com descaso e displicência como você fez. De forma alguma eles poderiam durar nada mais do que o tempo que minha persistência os protegesse.
A esta altura ele já havia se levantado da cama como sempre e saído pela porta. Deixava-a mais uma vez sozinha. Por que ela teve ilusões que isto poderia ser diferente? Essa paixão incondicional a havia deixado cega por tempo demais. Lógico que nenhuma destas palavras foi proferida, apenas faziam parte de uma verdade interior que ela teimava em negar. Se cada uma das vezes que ele a machucou fosse uma gota colocada em um recipiente de mágoa, ele já havia transbordado. Mas ela mascarava a dor. Com o tempo ela foi percebendo que o recipiente há de transbordar, cedo ou tarde. Eles poderiam ter tudo. Ele optou pelo nada.
Se ele tivesse sequer prestado atenção nos olhos dela, teria visto um vislumbre do fogo que queimava em seu coração, mas ele nunca dera atenção para ela em diversos momentos. Por que seria diferente agora? Talvez a chama que ardia em seu peito não fosse amor afinal. Ou talvez fosse. Uma centelha de amor próprio, pequena demais para ser notada por ele. Grande o bastante para causar uma chama, capaz de tirá-la da escuridão que a envolvia.
01 segunda-feira ago 2011
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adele, Blues, contos, pop, viniciusbioni
Escrito por Vinicius Bioni Bertollini (@ViniciusBioni) leia mais em O Recanto da Corja
Chovia.
Sentado em sua cama, Sandro mirava com atenção o aguaceiro que despencava do céu. Não soube distinguir a janela arranhada pela água que escorria pelo vidro dos próprios olhos embaçados. Era um só tom. Uma única pincelada, um único retrato.
Retrato.
Olhou para o teto. Seu respirar arfava. Se alguém entrasse em seu quarto naquele momento, facilmente poderia confundi-lo com um sem nada qualquer, um pobre coitado esquecido pela vida, um bêbado jogado na sarjeta. Suspirou como em um ultimato.
Voltou a mexer as mãos que há tanto tempo estavam inertes, como o próprio corpo que não se movia. Sentiu o liso e o fosco se misturarem entre os dedos. Pelos dedos, viu. Pelos dedos, sentiu novamente o sorriso daquele sete de janeiro, o gosto do sorvete, a grama pontuda, com calor do sol e tudo. Não era uma fotografia qualquer. Pelo toque, lembrou.
Não havia como não lembrar. Mas como você não se lembra?, perguntava para si mesmo.
Bobagem. Ele sabia que os retratos não falavam. Pelo menos, os reais. Sandro já vivera fantasias demais.
Levemente, ergueu a foto e, com delicadeza, encostou-a nos lábios. Ainda sentia o gosto doce. Doce como o mel. Impossível ter outro gosto.
- Mel, prazer.
Passou a gostar de abelhas naquele dia. Ou, pelo menos, deixou de detestá-las. Mel…
- Sandro – respondeu, sorrindo – Prazer.
Sentaram-se lado a lado. A mesa era pequena e estava cheia. Ele gostou. Forçadamente, estavam mais próximos. Colados, para ser mais preciso.
A noite era fria. Sentiu seu calor tocar no dela, mesmo que por meio das jaquetas. Foi lá que se viram pela primeira vez.
Sandro não se orgulhava da sua memória, mas disso ele lembrava. Lembrava-se do sanduíche que dividiram e de quantas garrafas de cerveja beberam juntos: quatro. O suficiente para pedir seu telefone.
Lembrava-se da conversa que entoou a noite e do cheiro delicioso daquela cabeleira negra. Dos seus olhos esverdeados, do nariz pequenininho, a pele clara e macia. Lembrava-se da voz aveludada. Do gosto do beijo.
- Quando eu vou poder ver você de novo? – perguntou.
Como um tigre, atentou seu sorriso de canto de boca e seu olhar indagador, até certo ponto despretensioso. Provocante, retrucou:
- Quando você vai querer me ver de novo?
Deixou que o silêncio daquele segundo reinasse e compreendesse o sinal daquele verde e doce olhar.
Ficaram juntos a noite inteira. Por horas, dias. Semanas. Meses.
- Um dia, vamos ter o mundo inteiro e até um pouco mais – sussurrou ao seu ouvido naquele sete de janeiro.
- Eu te amo – ouviu em resposta, após sorrir.
Era o que Sandro mais gostava de lembrar. Daquele dia. O último.
Desde então ele se pergunta o que foi que aconteceu. O que ele fez de errado? Qual a razão daquele um sumiço inexplicável? Como as coisas escaparam de suas mãos, tão facilmente?
Com o tempo aceitou o adeus nunca dito, o beijo final nunca selado e a solidão premeditada. Simplesmente nunca mais. Mas seu coração teimava em questionar os porquês de tudo aquilo.
Reabriu os olhos com a trovoada. O azul dos raios iluminou seu quarto e cegou-lhe. Com dificuldade, mirou a fotografia pela última vez.
- Será que você não se lembra de mim? – perguntou para a Mel fotografada.
Como quem espera uma resposta, ficou em silêncio. Ouviu apenas a chuva retrucar com mais força e um vazio audaz. Foi quando percebeu que não tinha jeito. Além da fotografia, a única coisa que restou daquele amor foi a falta que ele faz.