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Por @RicoCorreiaUP mais em Usuário Padrão

Ouça enquanto lê

-To indo mãe.

 

E o menino saiu correndo rua a baixo, havia se tornado um costume

isto, todos conheciam o velho que Morava que Morava algumas casas a

baixo, alguns o julgavam maluco, outros chato, mas todos sabiam que ele

era uma pessoa muito bondosa, porem sozinha. Passava os dias sentado

na varanda de sua casa com um violão no colo, cantando e tocando sobre

verdades que todos ignoram. Menos este menino que gostava de sentar e

ouvir o velho tocar e contar suas histórias.

 

Correndo rua abaixo, com os chinelos quase escapando o menino

ia apressado, não era sempre que conseguia, as vezes a mãe não deixava,

mas sempre que podia ele ia lá, o tio falou que ia ensinar ele tocar violão.

O vento batendo contra seu rosto, se lembrou que o tio sempre fala para

ele escutar o vento que muitas respostas vinham através dele.

 

Chegou ainda correndo até casa, onde um senhor sentado na

varanda tocava um violão, que mesmo que bastante surrado tinha um

som lindo, ele adorava ficar sentado ouvindo então assumiu sua posição

de sempre, sentado na escada, queria cobrar a promessa de que ele o

ensinaria a tocar violão, mas esperou terminar aquela musica.

 

-Tio, quando vc vai me ensinar a tocar? Queria aprender e um dia tocar tão

bem quanto você, será que eu consigo?

 

Sorrindo pro menino o senhor coloca o violão em sua mão

perguntando:

 

-O que é tocar bem para você?

-Ahh queria tocar assim igual você

-Por que você acha que eu toco bem? A maioria das pessoas da rua, nem prestam atenção em mim.

 

A criança mergulhada em confusão abaixou a cabeça, olhando para o violão

em suas mãos, sem saber se queria ou não mais aprender a toca-lo, depois

de algum tempo rindo da confusão do menino o homem retoma a palavra.

 

-Você precisa entender bem as perguntas e o que você quer antes de estar

pronto para ouvir as respostas. Muitas delas não sou eu nem ninguém

que vai responder, as vezes só de saber ouvir, as respostas vem até você

pelo vento, se você não ouviu ainda é por que não é a hora. Segura o

violão assim, agora bate nas cordas

 

O menino com certa dificuldade bate as cordas.

 

-Isto é um dó,

 

Sentados ali na varanda passaram aquela e muitas outras tardes

tocando violão, o homem e o menino, dias, meses,  anos.

O menino ja não era bem um menino. mas ainda não sabia se era um

homem. Ainda, continuava indo conversar com o homem, ainda gostava

de suas histórias, mas sabia que estava na hora de começar a procurar

respostas para as suas perguntas sem depender dele.

 

- Tio, O que faz de um homem um homem de verdade?

- A própria vida, eu acho

 

Estranhou uma resposta direta vindo do amigo, mas logo percebeu

que ela não era tão direta assim. Sua cara de confusão ainda promovia

risos ao homem, que lhe devolveu a mesma pergunta de outra forma

 

-Por quantos caminhos um homem precisa seguir nesta vida até chegar a

ser um homem?

 -Sei lá, uns 42.

O senhor riu da tentativa do garoto de responder de forma simples uma pergunta tão filosófica.

-Pode ser que sim, ou não. Pense um pouco mais sobre isto. Você ainda

tem vontade de continuar a tocar violão.

 

O menino assentiu.

 

- Já me decidi. Logo que eu conseguir juntar um dinheiro, vou sair pelo mundo, vou tentar ser musico.

- É um caminho dificil, com muitas estradas.

- Não tem problema, eu ando por cada uma delas até chegar aonde eu quero.

Conversaram mais um pouco naquela tarde, até que o rapaz se levantou e se preparou para ir embora, ele ja estava a alguns passos quando o homem voltou a falar.

- Garoto, tenho um presente pra você.

 O homem levantou-se e caminhou até o garoto e lhe entregou o seu violão.

-  Mas , eu não posso aceitar seu violão.

 

- Pode sim, se tem alguém que tenho certeza vai cuidar bem dele é você, quando você se for, leve-o com você.

O garoto partiu dois meses depois.

*********

Anos depois sentado em uma estação de trêm, ele não havia alcançado ainda o sucesso como musico, mas com o tempo tinha quase certeza que já conseguia ouvir alguns sussurros respondendo sua perguntas no vento. Ele ria dando conta que desde que sairá de sua casa com as malas eo violão, ja havia andado por bem mais de 42 lugares, talvez precisasse de um pouco mais pra descobrir todas suas respostas.

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