Por @RicoCorreiaUP leia mais em Usuário Padrão
A campainha é tocada com uma rápidez que demonstra medo e um homem se apresenta abrindo a porta, a pessoa a frente da porta de encolhe em defensiva quando lhe arremessado um caloroso bom dia, o sorriso autêntico e largo foi recebido e repassado, porém recheado com um acréscimo de confusão e dúvidas. Entrou caminhando lentamente, na noite anterior eles haviam saído para beber, teoricamente uma comemoração pela tão esperada chegada da sexta-feira, mas para o amigo que até a umas 15 horas atrás parecia estar procurando simplesmente beber pra esquecer.
- E ai Guto tudo bem?
- Ta sim, velho, ta tudo ótimo.
- Você parecia meio nervoso essa semana inteira e agora ta aí com esse sorriso gigante na cara? – dando uns passos frente no corredor da casa do amigo ele pisou em alguns cacos de vidro e percebeu que vinha de uma janela quebrada – Mano, que aconteceu aqui?!
- Ah, isso? Foi o filho do vizinho com uma bola, já resolvi isso já.
Baseado nas últimas semanas desde que a Laura saiu da cidade sem previsão de volta, o resolver do Guto poderia ser tanto ter feito o menino engolir a bola, ter arremessado o garoto pela janela do pai dele ou simplesmente ter ido bater no vizinho por não ter controlado bem se próprio filho.
- Passei por lá hoje cedo, devolvi a bola do garoto e ele pediu desculpas, vou mandar arrumar o vidro que ele disse que paga, ta tranquilo, senta ai, já tomou café?
Piscando de incredulidade por ter pensado que a ação mais diplomática era exatamente a única que ele não esperava do amigo ele responde apenas:
- Quero só um café Guto, valeu, chegou bem em casa ontem?
- Fui parado pela polícia ali na esquina.
Novamente a cabeça dele viajou para um milhão de possibilidades, desde o amigo apanhando infinitamente até ele sendo preso por desacato, claro ele também poderia ter sido morto, mas essa possibilidade foi rapidamente afastado por um motivo simples, ele estava de pé ali na cozinha colocando café em canecas para eles. Sentaram-se no balcão da cozinha, ele ainda encarando Guto na esperança que a narrativa continuasse.
- Sobre ontem né? Então eram uns policiais corruptos, eu estava meio estressado ainda, um pouco bêbado e com sono, mas consegui explicar que morava a duas quadras, que tava a pé por que deixei meu carro com um amigo pra não dirigir pra casa, no fim das contas eles queriam só dinheiro, dei uns 50 reais lá e vim embora.
Meio que se quebrando do transe, ele se recordou do que tinha vindo fazer e colocou a chave do carro em cima do balcão.
- Mas e ai vai denunciar os corruptos pro delegado ou algo assim?
- Nada, se bobear eu mando umas flores pra eles, mas uma denúncia não, não precisa. – Guto abriu novamente um sorriso que parecia estranho no seu rosto, de tão sincero e franco – não vou estragar o meu humor com estes detalhes.
- Cara desculpa, mas qual a causa de tanto bom humor?
Guto depositou ao lado das chaves um telegrama, poucas frases, mas na verdade frases suficientes pra melhorar em muito seu humor que não era bom em semanas. O amigo pegou e leu as poucas frases.
- Caramba Guto – O amigo sorria dividindo a felicidade do outro – é da Laura cara?
- Exato meu amigo, acho que no fim das contas, era esperança, era só isso que eu precisava .